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Conexão: ligação, vínculo ou união entre duas ou mais coisas (ou pessoas).
Você acredita em conexão? Aquele sentimento bom que, quando nos pega, nos completa de alguma forma e nos emociona…
Foi assim quando cheguei, continuou enquanto permaneci e é o que me transborda agora.
Queria que todos tivessem acesso às artes, à cultura, à literatura, à educação… Acreditava que isso mudaria qualquer pessoa, qualquer território. Não sabia por onde começar, mas a vontade estava lá. Com o passar dos anos, fui me descobrindo como artista, como atriz e, surpreendentemente, como educadora. Meus primeiros trabalhos foram voltados para crianças e adolescentes em uma biblioteca do meu bairro. E foi ali que me apaixonei pelo poder daquele espaço e pelo impacto real na vida daqueles jovens.
Depois dessa experiência, passei por outros espaços culturais dentro da cidade de São Paulo e fui me apropriando da literatura e de como impactar mais públicos. Os livros foram, literalmente, uma ironia boa do destino, catalisadores para experiências que só dentro de uma sala de leitura ou de uma biblioteca se tem a regalia de realizar.
Em junho de 2025, estava com uma vontade enorme de ir para a sala de aula, de ir para as escolas. Ocupar diretamente o espaço onde o letramento e a força do aprender estavam. Trabalhava na Sala de Leitura Aventuras Literárias, no Parque da Água Branca, no centro de São Paulo. Era educadora cultural e contadora de histórias musicadas e lá, a partir da leitura, desenvolvíamos uma oficina criativa que promovia a resolução de problemas, atividades manuais e a socialização de crianças, adolescentes e do público em geral. Essa conexão livro-oficina era a minha maior paixão. Além de contações de histórias como apresentações teatrais. Bom, achei o método do encantamento. Era isso que eu era, era essa a minha paixão.

Quando enviei meu currículo para o Instituto Catalisador, não enviei apenas um documento, mas também fotos e uma carta de interesse pela vaga. A conexão com a espiral da aprendizagem criativa tinha tudo a ver com meu trabalho naquele momento. E a conexão, aparentemente, foi instantânea.
Amanda Oliveira, Educadora no Instituto Catalisador, Agosto de 2025.
Fui muito bem recebida; Rita, Simone, Franciele e Liana me deram todos os direcionamentos com maestria. Estudei o livro Jardim de Infância para a Vida Toda, de Mitchel Resnick, e o curso online Rodas de Invenções, do próprio instituto, e descobri conexões incríveis com a minha vida. O autor deste livro que estudei, é professor do MIT Media Lab, foi quem sistematizou a Aprendizagem Criativa e é cofundador do projeto Computer Clubhouse, uma rede internacional com mais de 100 centros de aprendizagem extracurriculares onde jovens aprendem a se expressar criativamente com novas tecnologias. E quando eu era adolescente, foi justamente em uma Clubhouse onde estudei e fui impactada pelas novas possibilidades. Saber que estava adentrando um caminho tão incrível de tecnologia e aprendizagem, do qual a minha vida também fazia parte, me conectou de uma forma que me transborda até hoje.
Minhas primeiras Rodas de Invenções foram em escolas na Zona Norte de São Paulo. A sala de aula era palco de diferentes figurinhas, crianças entre 8 e 10 anos, mas todas eram impactadas de alguma forma. Cada curiosidade e cada novo aprendizado eram de extrema importância, tanto para mim quanto para os pequenos e para os professores.
Durante esse um ano de Catalisador, atendemos diversos públicos: estudantes de várias idades e também professores. Pude entender as necessidades de cada escola e de cada educador. Conversamos muito sobre propósito, desenvolvimento e, principalmente, sobre gerar interesse. Afinal, estávamos o tempo todo lutando contra o maior foco de interesse da década: as redes sociais e a internet. Participar de pertinho do despertar do engajamento (gosto muito de como a Simone fala sobre a “tecnologia da ponta dos dedos”) e ver os professores maravilhados com essa metodologia era o que fazia meu coração pulsar e se emocionar com o sentimento de “dever cumprido”.
Me emocionei por diversas vezes ao ver crianças desenvolvendo sua criatividade e enfrentando sua timidez; ver como as barreiras delas eram superadas e como uma caixinha com diversas peças e componentes elétricos trazia à tona o melhor de cada uma. É mágico mesmo!
E, por falar em emoção… Tive a oportunidade de trabalhar no meu território e levar a metodologia das Rodas de Invenções para o lugar onde cresci. Me reconhecer nas crianças da instituição onde estávamos foi a confirmação de um desejo da Amanda de 2021.
Olhar para trás e perceber que aquela menina, que um dia teve a vida transformada pela Aprendizagem Criativa no Computer Clubhouse, hoje é quem entrega essa mesma energia a tantas outras crianças é fechar um ciclo perfeito.
No fim das contas, se eu tivesse que responder o que fica depois das Rodas, a resposta seria simples: fica o brilho nos olhos de quem descobriu que é capaz de criar o próprio futuro. E fica, em mim, a Amanda do passado, orgulhosa de ver que o encantamento que ela tanto buscava hoje é o que move os seus dias.
Muito obrigada à Rita, à Simone, à Franciele e à Liana por todo o direcionamento, pela confiança e por me guiarem nessa jornada. Caminhar ao lado de pessoas que acreditam tanto no poder do encantamento quanto eu é a conexão que eu precisava!
Amanda Oliveira
Educadora no Instituto Catalisador


