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Invenções Malucas

Nos surpreendeu perceber como as crianças conseguiram identificar problemas do cotidiano de forma muito sensível e criativa, trazendo questões que envolviam desde situações práticas até preocupações ligadas à natureza e ao cuidado com os outros.

Também chamou atenção a liberdade imaginativa das invenções criadas e o envolvimento das crianças em transformar ideias em algo concreto e compartilhável.

Também observamos que muitas crianças acabaram se envolvendo mais com soluções imaginárias e fantásticas do que necessariamente práticas, o que tornou as criações ainda mais inventivas e autorais. Em alguns grupos, as ideias surgiram mais a partir da exploração e experimentação dos materiais disponíveis do que do problema inicialmente escolhido para resolver. Percebemos que esse movimento faz parte do próprio processo de prototipação rápida que costuma acontecer nas Rodas de Invenções, em que as ideias vão se transformando ao longo da construção.

Isso gerou um desafio interessante para alguns estudantes no momento do registro e compartilhamento, já que precisaram refletir novamente sobre suas criações e inventar conexões entre o que construíram e o problema inicialmente escolhido.

Autoria

Equipe catalisadora

Contexto

Escola pública

Idade dos participantes

8 e 9 anos

Motivações

- Dar oportunidade para meus estudantes se expressarem nos mais diversos temas.
- Desenvolver a colaboração/trabalho em grupo
- Diversificar propostas na sala de aula
- Explorar materiais e ferramentas
- Introduzir propostas mão na massa na sala de aula
- Realizar oficinas de leitura e escrita

Componente curricular

Arte
Ciências etc
Língua Portuguesa
Tecnologia

Competências Gerais da BNCC

Pensamento científico, crítico e criativo
Repertório cultural
Comunicação
Empatia e cooperação

Roda de Leitura

Escolhemos a reportagem “Designer transforma ‘invenções malucas’ de crianças em objetos reais”, publicada pela Folhinha em 18/02/2016, por Júlia Barbon. A reportagem apresenta o trabalho do designer britânico Dominic Wilcox, que transformou invenções imaginadas por crianças em objetos reais. A leitura trouxe uma discussão muito potente sobre imaginação, criatividade e a importância de valorizar as ideias das crianças, mesmo quando parecem improváveis, engraçadas ou “malucas”. Escolhemos essa leitura por entender que ela poderia inspirar as crianças a perceberem que suas ideias têm valor e podem ganhar forma no mundo real. A leitura funcionou como referência para as crianças compreenderem que invenções não precisam ser totalmente realistas para terem valor, e que muitas invenções reais partiram de ideias consideradas malucas ou impossíveis a princípio. Isso ampliou a liberdade criativa do grupo e favoreceu propostas mais autorais e imaginativas. Link da reportagem: https://m.folha.uol.com.br/folhinha/2016/02/1740394-designertransforma-invencoes-malucas-de-criancas-em-objetos-reais.shtml “Designer transforma ‘invenções malucas’ de crianças em objetos reais”, por Júlia Barbon Uma escova de dentes que já vem com pasta, um óculos que permite ver o que está atrás de você, um dispositivo para puxar a última batata chips da embalagem. Pense em todas invenções malucas que já passaram pela sua mente, mas que você nunca pensou que poderiam sair de lá. Pois um artista britânico mostrou que trazer essas engenhocas imaginárias para o mundo real não é impossível. ele transformou as invenções de mais de 20 crianças de 4 a 12 anos –e de alguns adultos também– em objetos palpáveis. Durante duas semanas, Dominic Wilcox – um designer que vive em Londres de criações como sapatos com gps ou carros do futuro – visitou 19 escolas e instituições em sua cidade natal, Sunderland, no norte da Inglaterra. Ele apresentou objetos que já inventou e encorajou cerca de 600 alunos e pais a colocar no papel ideias que ajudariam a resolver problemas do dia a dia. "foi uma grande mistura de criações práticas e fantásticas", conta. "As crianças têm alguns problemas que você não consegue nem imaginar", diz, se referindo a uma menina de 5 anos que desenhou um guarda-chuva para joaninhas. "Pens ando bem, talvez a chuva realmente seja um problema para os insetos." Wilcox levou as invenções a uma dezena de produtores locais, que escolheram algumas e tiveram cerca de um mês para fabricá-las. as crianças se encontraram com esses "fazedores" para explicar exatamente o que haviam pensado. Wilcox apelidou a iniciativa de "inventors project" (projeto dos inventores, em português), e organizou uma mostra na própria cidade para expor todas as criações durante o mês de janeiro. "Quando crescemos, perdemos a liberdade de imaginação. começamos a nos preocupar com tudo, se aquilo vai ser prático, se vai resolver o problema ou não", ele acredita. "colocamos limitações que nos fazem parar de pensar tão alto como as crianças." Dominic Wilcox conta que sempre foi um garoto criativo, "mas não brilhante, só uma criança normal". Descobriu que podia transformar suas ideias em coisas reais durante a faculdade de artes que cursou, aos 19 anos, quando um professor mostrou algumas invenções. "Eu ainda tenho os mesmo pensamentos, mas antes eles estavam dentro da minha cabeça; agora posso mostrá-los para outras pessoas." Se ele continua sendo uma pessoa "normal"? "acho que vivo muito tempo dentro da minha imaginação. sou uma pessoa normal, com um trabalho um pouco diferente."

Roda Mão na Massa

Provocação

Iniciamos propondo que os estudantes criassem, coletivamente, uma lista de problemas e situações que gostariam de resolver. Incentivamos as crianças a refletirem sobre o cotidiano e identificarem situações que as incomodavam, atrapalhavam ou despertavam curiosidade, acolhendo tanto problemas práticos quanto imaginativos. A pergunta norteadora para esta reflexão foi: “O que te incomoda ou te atrapalha no dia a dia? Pode ser em casa, na escola, na rua… ou até na natureza.” Ao longo da conversa, todas as sugestões foram registradas no quadro/lousa, formando um banco coletivo de ideias para inspirar as construções. Em duplas ou trios, as crianças escolheram um dos problemas levantados coletivamente. Lançamos então a provocação para colocarem a mão na massa: “O que vocês poderiam inventar para resolver esse problema de um jeito bem criativo e diferente? Pode ser algo maluco, divertido ou útil.” Optamos por uma provocação bastante aberta para evitar respostas únicas e favorecer tanto soluções práticas quanto invenções fantásticas, acolhendo diferentes formas de imaginar e resolver problemas.

Uso do kit Catalisador Rodas de Invenções e outros materiais.

Utilizamos o Kit Catalisador e complementamos com materiais diversos e de livre exploração. Os estudantes puderam combinar diferentes materiais de acordo com as ideias que surgiram ao longo do processo, experimentando múltiplas possibilidades de construção.

Materiais estruturantes: papelão, blocos, peças de MDF, tampinhas, materiais recicláveis

Materiais conectivos: barbante, elásticos, arames, colchetes

Materiais de composição: retalhos de tecido, papéis coloridos, fitas adesivas, entre outros

LEDs, baterias moeda, motor DC, suportes de pilha e pilhas (opcional)

Roda de Narrativas

Estratégia de compartilhamento

Cada criança preencheu uma ficha de registro com o problema que a invenção feita em grupo buscava resolver. Na ficha havia também as seguintes perguntas: “De que maneira essa invenção resolve o problema?” “O que ela tem de especial?” As fichas foram preenchidas individualmente e ajudaram as crianças a organizarem suas ideias, explicarem suas invenções e refletirem sobre o processo de criação. Em alguns casos, o momento do registro também ajudou os estudantes a reorganizarem suas ideias e refletirem sobre como suas invenções se conectavam aos problemas inicialmente escolhidos, já que muitas criações foram se transformando ao longo da exploração dos materiais e do processo de construção.

Gostaria de compartilhar conosco alguma narrativa que surgiu?

Muitas crianças trouxeram invenções relacionadas a situações do cotidiano que as incomodavam ou despertavam curiosidade. Surgiram propostas divertidas, inesperadas e imaginativas, mostrando como as crianças conseguem observar o mundo de forma muito criativa quando encontram espaço para expressar suas ideias e transformá-las em algo concreto. Algumas delas foram: cama robótica, máquina de apagar incêndios, balanço para desestressar, monstros resolvedores de problemas, carro voador...

O que faria diferente numa próxima?

Em uma próxima experiência, gostaríamos de repensar a forma como conduzimos o momento de registro e compartilhamento das invenções. Percebemos que, em muitos casos, as ideias surgiram e se transformaram a partir da própria experimentação com os materiais, e não necessariamente como respostas diretas ao problema inicialmente escolhido. Isso nos fez refletir sobre a importância de não exigir que toda invenção resolva perfeitamente o problema inicial, valorizando também os desvios, descobertas e transformações que acontecem durante o fazer. Em vez de perguntar apenas “Como sua invenção resolve o problema?”, poderíamos construir perguntas mais abertas, como: “Que relação sua invenção tem com esse problema?”, “Como essa invenção surgiu?”, “O que mudou da ideia inicial?” ou “Que novas ideias apareceram enquanto vocês construíam?”. Acreditamos que isso pode tornar o processo de compartilhamento mais coerente com a experiência vivida pelas crianças, legitimando o pensamento em processo, a experimentação, a imaginação e as descobertas que surgem ao longo da construção. Além disso avaliamos que a proposta poderia acontecer em dois encontros diferentes: um primeiro momento mais dedicado à leitura, à conversa e ao levantamento coletivo de problemas e ideias, e um segundo encontro voltado à construção mão na massa, à prototipação e ao registro reflexivo das invenções.

Como foi a participação dos estudantes?

Os estudantes demonstraram entusiasmo tanto no levantamento coletivo de problemas quanto na criação das invenções em duplas ou trios. Alguns, inicialmente, pensam direto na solução, e é papel do mediador questionar "que problema essa invenção resolve?". Fazendo esse raciocínio junto com eles, chegamos a uma lista bem diversa de questões. Na hora da construção, as crianças tiveram que negociar ideias, experimentando alguns conflitos construtivos até encontrarem caminhos que satisfaziam a todos.

O que você acha que eles aprenderam/desenvolveram a partir dessa proposta?

A proposta favoreceu o desenvolvimento da criatividade, da imaginação e da capacidade de resolver problemas de forma colaborativa. As crianças também puderam ampliar o olhar para questões do cotidiano e refletir sobre possíveis soluções para situações reais ou imaginárias. Ao longo da proposta, observamos também que, em alguns grupos, a oportunidade de registrar e compartilhar as invenções gerou maior motivação para escrever, explicar ideias e comunicar descobertas aos colegas. O fato de terem criado algo autoral e significativo pareceu dar mais sentido ao momento do registro, favorecendo a expressão das crianças sobre seus próprios processos criativos.

Se inspirou com essa prática?

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